*.* E RIR! *.*
"Das razões à simples vontade, são intensas as motivações que levam àquilo que representa a taquicardia do que é Pensar e a dispnéia do que é Sentir, o muito explorado embora pouco entendido Abismo." Por mais que as coisas não sejam mais exatamente assim, a minha capacidade de me descrever piorou drasticamente, então deixe como está.
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017
quinta-feira, 25 de setembro de 2014
quarta-feira, 13 de agosto de 2014
quinta-feira, 13 de março de 2014
segunda-feira, 9 de dezembro de 2013
quarta-feira, 8 de maio de 2013
quarta-feira, 1 de maio de 2013
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
É assim, sempre foi e sempre será.
Mas não há mal nenhum nisso: se você tem preguiça de sofrer e se angustiar por qualquer coisa, sobra mais tempo pra ser feliz.
Parece sem sentido, parece frase de facebook, mas funciona que é uma beleza.
Simplificar sempre foi a chave de tudo.
Ainda bem que descobri a tempo!
terça-feira, 7 de agosto de 2012
terça-feira, 1 de maio de 2012
O Monstro
domingo, 1 de janeiro de 2012
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| Não, essa foto não foi feita com a câmera que eu xinguei... |
sábado, 8 de outubro de 2011
domingo, 4 de setembro de 2011
segunda-feira, 18 de julho de 2011
segunda-feira, 4 de julho de 2011
Conhece-te a ti mesmo.
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Os Super-Legais
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Mas é porque a gente chega a imaginar que a inquietações aquietaram e não colaboram com nem mais uma linha pra ser escrita.
Depois, a gente percebe que as inquietações persistem, só que elas agora só inquietam, não angustiam tanto.
É claro que, num ponto como esse em que eu estou hoje, a ansiedade volta a dar as caras e incomodar. E quando eu falo num ponto eu quero dizer: tentando definir um rumo profissional, aprendendo a lidar com responsabilidades financeiras e incompatibilidades de planos dentro de casa, na iminência de uma das férias mais esperadas da minha vida, e com muita (mas muita) vontade de seguir em frente.
Claro que o lado profissional-acadêmico-familiar-social da situação resume quase a coisa toda, mas sempre tem algo a mais. Algo em que eu não pretendo me concentrar, por simplesmente não trazer muito retorno por enquanto.
Então vamos lá, uma coisa de cada vez.
"Chega um ponto que eu sinto que eu pressinto
Lá dentro, não do corpo, mas lá dentro-fora
No coração e no sol, no meu peito eu sinto
Na estrela, na testa, eu farejo em todo o universo
Que eu to vivo
Que eu to vivo
Que eu to vivo, vivo, vivo como uma rocha
E eu não pergunto
Porque já sei que a vida não é uma resposta
E se eu aconteço aqui
se deve ao fato de eu simplesmente ser!"(Todo mundo explica - Raul Seixas)
Temos caminhado, e assim continuemos.
[Um clichezão eterno e verdadeiro. rs!]
segunda-feira, 21 de junho de 2010
E tudo isso eu digo, não pra ser apenas mais um obituário de uma figura notória feito por uma figura anônima, como tantos que figuram por aí, mas pra citar meu pai, tão anônimo quanto eu pra todo mundo, e tão notório quanto Saramago pra mim. Pois ele me veio com a observação seguinte: a maioria dos grandes escritores aparenta uma serenidade acima do normal até o fim dos seus dias. Pudera. Invejo eu a capacidade que todos eles tiveram, ao longo de suas vidas, de transportar suas inquietações pras suas obras e, ainda bem, aparecer com novas e novas inquietações, e nunca parar de escrever.
domingo, 7 de fevereiro de 2010
Embolismos
Mas a sua amiga, ou qualquer outor indivíduo previamente encarregado de zelar pelo bem-estar da sua imagem, não cumpre idealmente a sua função. Essa pessoa abençoada pode estar no mesmo nível cognitivo que você, e te induz não só a manter contato com o meio externo, como diz que você tem que expressar o que pensa.
Como se você ainda pensasse a essa altura da situação... E o pior é que você entra na pilha.
E fica cheio de razão. Diz o que acha que pensa e o que acha que deve, mete os pé pelas mãos. E ainda é apaludido por aquele ser previamente designado pra evitar tudo isso.
Pobre dia seguinte, quando tudo vem às claras e você percebe (ou te fazem perceber) que você falou ou fez mais (ou menos) do que devia! Jura pra si mesmo que isso nunca mais vai se repetir!
Mas no fundo, escondido de todo mundo (até de você mesmo), você pensa que valeu a pena. Afinal, as boas histórias não são boas exatamente na hora que acontecem, e se não fosse a noite passada, você não teria mais uma história para contar...
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Cântico dos Cânticos
A Anunciação trabalhava por meios mais ortodoxos nos tempos bíblicos, mas imagino que o Senhor achou melhor agir por todos os meios possíveis e se aproximar dos filhos ingratos como eu de um modo não convencional.
A coisa boa disso tudo é que sempre há uma chance retornar à Casa do Pai e tentar ser cada vez melhor, tentar me aproximar cada vez mais do que a minha fé me leva a querer ser.
Fé essa heterodoxa e não tão congruente como eu gostaria, parece que está sempre em construção. Mas essa é uma característica tão minha, que acredito que os Céus sejam compreensivos comigo.
Aguardo as realizações por vir, o que me foi prometido diante de um espelho rodeado de luzes, onde um rosto maquiado sorria feliz de volta pra mim.
do muito que ficou
E é generosa a Felicidade. Não liga se for confundida com a alegria e a empolgação, chega a pensar que é composta pelas últimas, e que os arroubos podem ser parte integrante dos momentos mais felizes.
Ela também não se importa em vir acompanhada da Saudade, o que parece um paradoxo, já que às vezes a Saudade dói tanto quanto ou mais que a tristeza. Mas as duas não precisam ser iguais. A saudade, ao contrário da tristeza, não precisa ser opressiva, pode ser apenas envolvente. Saudade com tristeza é melancolia, nos impede se seguir, nos aprisiona. Saudade com alegria e felicidade nos impulsiona, é o prazer pelo que passou, o desejo do reencontro e a satisfação em saber que o que somos hoje devemos àqueles de quem sentimos falta. Pois se a ausência é falta, há um excelente motivo pra que seja assim.
E mesmo que uma parte de nós pareça ficar pra trás, não devemos nos preocupar, pois levamos conosco muito daqueles de quem nos afastamos, e isso só é clichê porque é verdade. Aprendemos a nos doar, a ser felizes acompanhados, mas sabemos que sobreviveremos em nossa própria companhia, porque nunca mais ficaremos sozinhos.
terça-feira, 7 de julho de 2009
Ela falou primeiro com o que estava a sua direita:
- Você! – ela apontou – De todas as minhas satisfações e frustrações, você foi o pior e o melhor, o mais intenso que podia haver. Surpreendentemente, seu saldo foi positivo, mas foi bom que tenha terminado. Aquela bagunça toda era desgastante. Pronto, era só isso. Você já pode ir.
- Agora você... – o que estava à esquerda era mais difícil de encarar – Fico feliz que você esteja novamente ao meu lado,mesmo que seja desse seu jeito ocasionalmente presente. Mais quando você fica sozinho, menos do que eu gostaria ou precisaria. Espero que as coisas estejam tão claras e tranquilas pra você como estão pra mim. Fico plenamente satisfeita com essa nossa amizade, eu sendo super-sincera com você e não tendo medo de te falar qualquer coisa. Obrigada por estar aqui.
Ela pensou em quem seriam os próximos da lista para uma conversa imaginária franca, mas lembrou que a fila seria muito grande, então simplesmente olhou para o espelho. Os dois já não existiam ao seu lado e o único reflexo que ela podia ver era de uma mulher razoavelmente bonita. Uma ligeira surpresa, já que ela não estava totalmente certa das melhorias em sua auto-estima. Mas sim, ela era bonita. E havia amadurecido, pra reconhecer essas e outras qualidades. Ela também poderia ser engraçada, ter um senso de humor próprio, meio excêntrico, mas que agradava às pessoas mais próximas, aquelas que realmente interessavam. Inteligência também poderia entrar na lista, nada tão extraordinário, é claro, mas o suficiente pra ela conseguir muito do que queria profissional e academicamente até agora (descontando o fato de alternar períodos de empolgação intelectual com períodos de inércia mental, mas isso não era o suficiente pra que ela não se orgulhasse de sua capacidade cognitiva).
Depois de tanto tempo, estar novamente às voltas com auto-análises não era tão ruim como ela pensou que seria. Olhar-se dessa forma no espelho e ressaltar algumas boas características era saudável, pensar em como não havia motivos para ela querer uma vida diferente. Imaginar que nenhum problema ou nenhum falta de novidade seriam capazes de arrefecer seu ânimo ou vergar sua paciência em esperar o ano que estava por vir. Um turbilhão de mudanças, aliado ao medo do desconhecido, poderiam dobrá-la ao meio de ansiedade, mas até essa porção sua estava bem domada. O pouco de insegurança que vinha à tona vez por outra apenas servia pra reforçar suas crenças e fazê-la olhar para todas as direções de sua vida. O passado, seja ele recente ou uma mera lembrança longínqua, não deveria ter sido diferente, todos os erros a tornavam o que ela era hoje, e ela estava momentaneamente satisfeita consigo mesma. O futuro era desafiador, e isso a agradava ainda mais, pois, mutante como era, ansiava pelas novas mudanças, e via seu caminho bem traçado, com uma divisória bem marcada: a formatura. Ela se sentia caminhando morro acima para a beira do penhasco; o caminho, inicialmente tão íngreme, agora estava aplainando, e ela sabia que isso era porque o fim da trajetória estava próximo. E isso nos leva a pensar no presente, na caminhada; tudo era agradável e belo nesse final, alguns percalços aqui e ali, um pouco da ansiedade às vezes a fazia querer correr e pular logo, mergulhar de vez no ar, mas ela sabia que isso era besteira, que na hora certa ela pegaria o impulso e se jogaria de vez. Uma certeza ela tinha: não tentaria parar na beira do penhasco para espiar, não havia o que temer da queda, ela seria fisicamente inócua. Mas Deus é quem sabe no que resultará esse salto. E isso é o que importa. Não importa que ela não saiba, pois seu grande trunfo sempre foi a confiança, e talvez o único erro de que ela realmente se arrependa de ter cometido foi, em algum momento, não confiar plenamente.
quarta-feira, 13 de maio de 2009
05/02/2009
"Escrevo do auge da euforia. To me drogando.
Explico: tinha muito tempo que eu não parava pra ouvir música, só ouvia no caminho da faculdade o que tava no meu celular, com preguiça de renovar o repertório. Parei hoje pra escolher outro e comecei a ouvir várias músicas, de tudo quanto é tipo.
Parei no de sempre. E agora, às onze da noite, to numa pilha. Raul Seixas correndo na veia a mil, o CD: Carimbador Maluco. Meu preferido no momento.
Só a primeira música, DDI, já me fez rir sozinha de uma suposta ligação de Deus pra avisar que o encardido ta pra aparecer por aqui e os homens têm que parar de resmungar e agir, e ainda termina com Ele falando que tem que desligar porque já falou demais e o telefone ta caro.
Depois um clássico romântico (na maneira raulzítica de romantismo, claro): Coisas do Coração. Lindinha, meio melosa, mas na medida, uma das minhas preferidas na infância porque eu imaginava um cara chegando no navio pra reencontrar a amada e tal, embora a música não seja tão simplória.
Continua com Coração Noturno. Quebra o ritmo, pois mesmo que a anterior seja romantiquinha, não é devagar, e essa é quase parando, aliás, o contrário disso, é acordando. Literalmente. Começa numa preguiça e vai ficando mais animadinha, não em ritmo, mas em espírito, por assim dizer. “Bom dia! Dia!”
Depois, Não fosse o Cabral a coisa não tomaria rumo novamente. A música perfeita pra dar uma de guitar hero com o Rick Ferreira! E a música certa pro Marcelo Nova cantar no Baú do Raul, uma das poucas versões daquele CD que eu gostei, aliás. Embora ouvir o original não tenha comparação, uma declaração de patriotismo com muito amor e poesia.
E aí chega numa música que eu não entendo como meus pais me deixavam ouvir antigamente... (Se bem que eles me deixavam ouvir Rock das Aranhas, então não tem mesmo explicação). Quero Mais é engraçada, com trocadilhos e obscenidades, e a discussão pra terminar me diverte muito. “Ai, ai, ai! Eu quero é mais!”
Então Lua Cheia vem e quebra o ritmo de novo. Hoje ela não é assim minha preferida, mas a melhor coisa dessa música era a minha interpretação quando eu era criança, cantando e dançando, com gestos e passinhos, sem contar que, pra mim, “vil caipora” era o nome de duas pessoas, tipo “Vilca e Pora”. Pra você ver como eu alcançava o significado das letras.
E a música título do disco. Com teatralização, é óbvio! É aí que se tem a medida da minha infância feliz. Sempre que minha mãe a ouve, fala que era música que tava no auge na época em que ela e meu pai namoravam. Devia ser mesmo, o disco é de 1983. “Boa viagem, meninos! Boa viagem!”
Segredo da Luz é uma música que também exigia coreografias na minha infância. Tudo isso tem uma explicação: nas outras músicas mais agitadas, eu só pulava e cantava que nem uma maluca, tocando minha guitarra imaginária e batucando nos móveis; nas mais lentinhas só me restava coreografar o que o cara dizia, porque me pareciam assim poéticas e tal, e mereciam gestos amplos, com interpretação grandiosa da letra. Essa música em especial evolui pra uma balada que dá vontade de cantar fazendo caras e bocas ainda hoje, pena que já ta tarde e eu posso acordar os vizinhos.
“Minha cabeça só pensa aqui que ela aprendeu. Por isso mesmo eu não confio nela, eu sou mais eu!” Uma música falando uma coisa dessas é mesmo Aquela Coisa. Adoro! “Mas é preciso você tentar, talvez alguma coisa muito nova possa lhe acontecer. Vai fundo!”
Agora me explica a levada dessa música que vem em seguida: Eu sou Eu, Nicuri é o diabo. Das coisas sem sentido, essa é plus. Com uma pegada latina, com um tango no meio cantando Cambalache (outra ótima música, mas não ta nesse disco) em um espanhol (ou portunhol, não sei). Mas é pra chacoalhar os ombros e cantar que ele é ele, já o Nicuri...
Perto do fim, me faz o favor de plantar o tal do Capim Guiné! Foi com ela que eu descobri que macaxeira é aipim, ou mandioca. Muitos bichos e mais um clássico do Raul. Não tem muito que dizer, eu gosto e pronto.
Mas a Babilina é uma das melhores! Não dá pra descrever, tem que ouvir o cara pedindo pra amada sair do bordel! “Quando cê chega com a bolsa entupida de tutu, imagino quanta gente se deu bem no meu baú. Você me garante que não sente nada não, e que só comigo você tem satisfação.” E no melhor rock possível. Impagável! (ou não...)
E o disco fecha com uma gravação ao vivo, do Raul explicando como o rock começou, e me apresentando So Glad You’re Mine, música de Arthur 'Big Boy' Crudup gravada por Elvis Presley e agora por Raulzito. Nessas horas eu agradeço por conhecer essa gravação.
É isso. Termino o CD com uma sensação que não sei descrever com exatidão. Euforia é uma boa palavra, mas tem muito mais que isso. O cara é inalcançável, por mais que se faça hoje em dia. É claro que há todo lado sentimental (e até sentimentalóide) da coisa, um certo saudosismo, mas não há muitas coisas nessa vida que me façam tão bem e me deixem com essa sensação de alegria e até felicidade. To chapada.
(Mas vê se não vão anarquizar a minha reputação)"Danielle, 05 de fevereiro de 09.
quinta-feira, 7 de maio de 2009
Assista, por favor.
Então resolvi, hoje, dar testemunho da produtividade da minha inércia: seriados! Descobri bons seriados nesses últimos tempos. Dois deles eu chamaria de excelentes (e usando essa palavra de maneira criteriosa, não como eu costumava usar antigamente): 30 Rock e The Big Bang Theory.
Aconselho dose plena, melhora seu humor e acho que também proporciona melhora da função cognitiva (mais pelas sacadas geniais do escritores das duas séries do que pelas piadinhas nerds de TBBT).
Sinceramente, assistir qualquer outra coisa hoje seria perda de tempo.
The Big Bang Theory tem produção executiva de Chuck Lorre, o mesmo cara de Two and a Half Men (outro imperdível), além disso, é da Warner Bros.A maioria dos personagens é nerd (do tipo clássico), mas também há meros mortais no meio dos gênios desajustados. Não vou falar muita coisa, mas só pra constar, caso alguém resolva assistir, meu preferido é o Sheldon (só ele valeria um novo post).
Já 30 Rock conta com um verdadeiro combo vindo direto do "Saturday Night Live", a começar pela maluca da Tine Fey, que escreve, produz e estrela como Liz Lemon. Mas tem também Tracy Morgan (como uma caricatura dele mesmo, Tracy Jordan), Scott Adsit (como Pete Hornberger, o produtor do programa) e Rachel Dratch (fazendo váááários papéis - o que é muito engraçado). Tem ainda Alec Baldwin como Jack Donaghy, o cara já estava bom em "As loucuras de Dick e Jane", agora ele está... Não sei bem como dizer, impagável é pouco, ele se reinventou! Eu não me surpreenderia se ele viesse a público dizer que na verdade ele é Jack Donaghy e até agora estava interpretando o Alec Baldwin A série toda fala dos bastidores de um programa de TV norte-americano, e não há melhor fonte de humor que essa.
Mais uma vez: aconselho.
Mas espero mesmo que você já tenha assistido!
domingo, 21 de dezembro de 2008
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
Da janela da minha cozinha tenho que agüentar a vizinha ouvindo Alexandre Pires.
Se fosse o contrário, eu dormiria na cozinha. Com certeza.
terça-feira, 4 de novembro de 2008
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
Você e ele
E ainda assim você tentar manter certo nível de impessoalidade. Nada de perguntas pessoais dele pra você, nada de conversa fiada, perda de tempo com um papo que não interesse pra sua história, seu raciocínio.
E vocês passam assim dez, quinze dias. Até que chega a um ponto limite e você não consegue deixar de ouvir a piada que ele conta, não deixa de comentar como o dia está frio, e até começa a perguntar sobre um ou outro membro da família dele que você por ventura conheceu.
Eu, particularmente, demoro bem menos que quinze dias pra me render a conversas assim, pergunto não só dos familiares que conheci, mas também dos que ele por acaso comentou que tem, não quero saber só se se alimentou bem, dormiu bem, teve febre ou dor, se está com falta de ar, essas coisas. Acabo falando de mim mesma, acabo querendo saber se ele tem algo mais que queira dizer. Não me transformo num muro das lamentações onde ele tem direito de chorar todas as suas mágoas, mas tenho a disposição de ouvir até o fim aquela pergunta que ele tem a fazer e tentar responder decentemente, tentar mostrar o que há por trás daquelas frases feitas do tipo “Estamos cuidando do seu caso” ou “A gente ta tratando o problema do senhor”. Na maioria das vezes eles querem mais que saber que estão em boas mãos, querem entender o que está acontecendo, por que as coisas estão sempre as mesmas, ou por que pioraram de repente. Não custa nem dez minutos a mais, algumas poucas vezes por semana, inteirá-lo da própria condição.
Talvez eu me exceda nos meus cuidados e nas minhas preocupações, talvez eu deixe passar outros aspectos importantes estando atenta demais ao que o paciente tem a dizer e de menos ao que eu ainda tenho que raciocinar e estudar para entender um caso, talvez eu passe por sérias dificuldades e encontre muitos problemas pela frente por me envolver tanto. Mas por enquanto tem valido a pena. E tem sido sincero e espontâneo, não acontece com qualquer paciente, só com aqueles com quem eu realmente me identifico.
Espero achar a dose certa. Para que eu nunca beire a frieza e para que esses meus excessos nunca sejam um inconveniente, interferindo negativamente na minha conduta ou trazendo a mim ou ao paciente qualquer tipo de prejuízo. Aos poucos vou aprendendo.
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
Olhe algo que você quer mas não deveria querer.
Sem apelos sentimentais, sem apegos sentimentais.
Apenas uma vontade que te cerca todos os dias e sorri pra você de um jeito bem canalha.
[Suspiro]
"Desejo
Necessidade e vontade
Necessidade e desejo
Necessidade e vontade
Necessidade..."
(Todos têm alguns desejos sórdidos e pouco confessáveis)


