O horror ao egoísmo e à mesquinhez me assusta quando vejo o quanto exatamente esses elementos que eu tanto temo estão muito mais próximos do que eu poderia suportar.
Uma pequena atitude movida pela vontade de satisfazer apenas a si mesmo, independente do que possa fazer aos outros, já é o suficiente pra me tirar do sério.
Não, não pense que eu não tenho momentos assim, todos temos, todos preferimos cuidar melhor de nós mesmos. Mas alguns, muito mais do que outros.
Afinal, muitas vezes o senso de autopreservação, de cuidado com si mesmo e até de amor-próprio e auto-estima ultrapassam quaisquer limites do bom senso. Surge, então, um espetáculo de gestos mesquinhos e mal justificados. Sim, porque a maioria das pessoas ainda quer justificar sua atitude de preocupação exclusiva com os próprios interesses, e geralmente não se dá conta do que está fazendo. Apenas age como bem entende, atropelando o que se ponha entre a vontade e a concretização.
Não, eu não estou falando de atitudes extremadas.
Nem de um grande mal que assombre a humanidade.
Eu falo do dia-a-dia, das pequenas ações. As que menos saltam aos olhos de quem faz, mas que mais sufocam quem percebe. Silenciosas, não se deixam notar facilmente e, por isso, são bem mais difíceis de se evitar.
E nem adianta reclamar, esbravejar, chorar, gritar.
No fim, você vai ser o exagerado paranóico da história.
E todos vão te olhar como se só você visse aquilo de que reclama.
Então, ignorem tudo o que eu disse, está tudo bem, tudo é maravilhoso, e as pessoas são sensacionais.
E ponto final.

"E sendo nuvem passageira
Não me leva nem à beira disso tudo
Que eu quero chegar
E fim de papo"
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