domingo, 12 de março de 2006

Agora devidamente autorizado:

“Eu não sei descrever
Vamos falar de caquexia
Qui-quadrado, república velha
Ainda dá tempo

Eu não sei expressar
A fúria dos deuses inquietos
Quietas mentes falantes
Estantes e seus livros pensantes

Eu não vou cobrar
A resposta que você puder
O leite das crianças famintas
A interpretação do exame

Eu não vou voar
Como a Lucy psicodélica
Correndo atrás de miragens
Perdidas na sua beleza

Eu não vou cair
Não sou a estrela no céu
Nem aquela no mar
Para parar somente em você

Eu não vou lá
Eu não irei
Ou passarei do retorno venoso
No ponto crítico da satisfação

Eu não... Eu não...
Eu não vou dar a mão
Eu não vou buscar o pão
Eu não vou sucumbir ao chão

Ah sim, eu sim
Quero ter o direito de tentar
A vontade de beliscar
Minha existência e complexidade

Ser é lembrar
Da ressaca moral vigente
Da minha independência dependente
De que você não esqueceu

Por favor.”

(Ana Caroline Moura Siquara)


*Ainda ta sem título?

3 comentários:

Anônimo disse...

cento e oitenta graus de boca aberta
meio metro de língua para fora
e o Sujeito apóia sua cabeça vazia no travesseiro
e pensa
"isso sim, minha gente...
isso sim é um poema".

Unknown disse...

Praticamente uma evocação à Lucy...

Anônimo disse...

Tem título sim!
"Eu sou meu"
É uma súplica, né?
E você postou por quê? O que lhe fez se sentir como Anita com ressaca moral hehe?
Beijos vaca... adoro você, e dias melhores virão pra nós!