Quando eu era criança, sempre tive medo do que estava muito além da minha compreensão. Medo e fascinação. O futuro ou o passado, o Universo, o escuro. Tentava não pensar em nada disso, porque nunca chegava a lugar nenhum, era como se eu jamais pudesse saber o bastante sobre essas coisas. No fundo, eu estava certa.
O escuro me amedrontava. Apavorante abrir os olhos e nao ver nada, ficar num quarto que eu sabia exatamente como era, mas nao podia enxergar. Era como se nada existisse ao meu redor, e isso sufovaca mais do que qualquer coisa. Ainda nao gosto do escuro. Prefiro muita luz, nao gosto nem de muita penumbra, as formas ficam muito distorcidas, tudo fica estranho. Medo do escuro, quem diria... Eu ainda tenho.
O Universo, ah! Corpos celestes, estrelas, planetas, constelações, buracos negros e uma infinidade de coisas que eu sempre julguei além da minha capacidade. Espaço e tempo inimagináveis, fora do meu alcance. A única coisa que me interessava era olhar o céu. As nuvens dançando sobre minha cabeça, um festival de cores e formas. As estrelas. A Lua, sempre a Lua, cheia, maravilhosa, ou apenas um filete brilhante no céu. Isso sim era bom. E é até hoje. Olhar o céu, sensacional, seria capaz de ficar horas assim, boquiaberta, só reparando o que acontece lá no alto. Mas ir além do que minha vista alcança... a curiosidade é grande, tsc, nao o bastante.
O passado sempre esteve lá, né?! Nao coube a mim em momento algum. Há muito tempo, há algum tempo, há pouco tempo... O muito me assustava, como posso pensar em algo tao distante? Tao diferente? Em tanta coisa que acabou... Em tanta gente que acabou. O algum me interessava, e me trazia ate certa nostalgia por um tempo que eu nunca vivi, fatos tao proximos, mas que nao pude alcançar por um certo espaço de tempo nem tao considerável - conhecer meu avô, por exemplo, queria ter conhecido. O pouco era meu! Meu passado, com as boas lembranças e as culpas. Oh culpa! Mas que coisa cruel pra uma criança, se sentir culpada porque perdeu meio ponto na pova de matemática da terceira série, ou por bater no irmão mais novo, ou pro não escovar os dentes antes de dormir. Definitivamente, culpa é um sentimento que desaparece muito facilmente e demora pra reaparecer à medida que gente cresce. Ou melhor, ela aparece sim, só que de maneira distinta de antigamente, e me faz pensar que eu queria saber o que deveria ter feito diferente pra mudar algumas coisas do presente.
O futuro a gente é quem faz, certo? Hum... Difícil isso. Pense num futuro bem distante. Dá pra imaginar? Você talvez consiga, eu nao. O que havia por vir parecia tão longe, tao inatingível... 'Nossa, no ano 2000 eu faço quatorze anos! Credo!' ou 'Cara, la pelos vinte e tantos to trabalhando, ganhando dinheiro, cuidando da minha vida...' Aham, to sim. E é claro que criança sempre pensa no que vai ser quando crescer; pois é, cresci. O que eu sou mesmo? Aspirante a médica? E o que mais?... Ah, o futuro?! Ela nunca chega mesmo! É sempre presente, e ponto final.
Quando eu era criança, sempre tive medo do que estava muito além da minha compreensão. Medo e fascinação. Quando eu cersci, continuei tendo. Agora o que está além da minha compreensao é a mente, são as idéias, é Pensar, é Sentir. E isso assusta muito mais.
O escuro me amedrontava. Apavorante abrir os olhos e nao ver nada, ficar num quarto que eu sabia exatamente como era, mas nao podia enxergar. Era como se nada existisse ao meu redor, e isso sufovaca mais do que qualquer coisa. Ainda nao gosto do escuro. Prefiro muita luz, nao gosto nem de muita penumbra, as formas ficam muito distorcidas, tudo fica estranho. Medo do escuro, quem diria... Eu ainda tenho.
O Universo, ah! Corpos celestes, estrelas, planetas, constelações, buracos negros e uma infinidade de coisas que eu sempre julguei além da minha capacidade. Espaço e tempo inimagináveis, fora do meu alcance. A única coisa que me interessava era olhar o céu. As nuvens dançando sobre minha cabeça, um festival de cores e formas. As estrelas. A Lua, sempre a Lua, cheia, maravilhosa, ou apenas um filete brilhante no céu. Isso sim era bom. E é até hoje. Olhar o céu, sensacional, seria capaz de ficar horas assim, boquiaberta, só reparando o que acontece lá no alto. Mas ir além do que minha vista alcança... a curiosidade é grande, tsc, nao o bastante.
O passado sempre esteve lá, né?! Nao coube a mim em momento algum. Há muito tempo, há algum tempo, há pouco tempo... O muito me assustava, como posso pensar em algo tao distante? Tao diferente? Em tanta coisa que acabou... Em tanta gente que acabou. O algum me interessava, e me trazia ate certa nostalgia por um tempo que eu nunca vivi, fatos tao proximos, mas que nao pude alcançar por um certo espaço de tempo nem tao considerável - conhecer meu avô, por exemplo, queria ter conhecido. O pouco era meu! Meu passado, com as boas lembranças e as culpas. Oh culpa! Mas que coisa cruel pra uma criança, se sentir culpada porque perdeu meio ponto na pova de matemática da terceira série, ou por bater no irmão mais novo, ou pro não escovar os dentes antes de dormir. Definitivamente, culpa é um sentimento que desaparece muito facilmente e demora pra reaparecer à medida que gente cresce. Ou melhor, ela aparece sim, só que de maneira distinta de antigamente, e me faz pensar que eu queria saber o que deveria ter feito diferente pra mudar algumas coisas do presente.
O futuro a gente é quem faz, certo? Hum... Difícil isso. Pense num futuro bem distante. Dá pra imaginar? Você talvez consiga, eu nao. O que havia por vir parecia tão longe, tao inatingível... 'Nossa, no ano 2000 eu faço quatorze anos! Credo!' ou 'Cara, la pelos vinte e tantos to trabalhando, ganhando dinheiro, cuidando da minha vida...' Aham, to sim. E é claro que criança sempre pensa no que vai ser quando crescer; pois é, cresci. O que eu sou mesmo? Aspirante a médica? E o que mais?... Ah, o futuro?! Ela nunca chega mesmo! É sempre presente, e ponto final.
Quando eu era criança, sempre tive medo do que estava muito além da minha compreensão. Medo e fascinação. Quando eu cersci, continuei tendo. Agora o que está além da minha compreensao é a mente, são as idéias, é Pensar, é Sentir. E isso assusta muito mais.
2 comentários:
nada não (claro, não há nada a dizer depois deste texto).
é que eu só queria ficar aqui registrado no melhor post de todos os tempos.
eu também queria... posso?
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