terça-feira, 3 de abril de 2007

*Uma observação antes de tudo: não gosto nenhum pouco de filmes com bichos (cães, macacos, patos, cavalos...) como heróis, também não sou muito fã de historinhas com animais (embora eu deva assumri que adorava a da lebre e a tartaruga). Isso não é um conto infantil, embora tenha um cachorro na jogada!
O garoto passou na frente da loja de animais e viu o cachorrinho lá na gaiola, arfando, preto, peluto, com um olhinhos embargados que qualquer cachorro pidão saber fazer. "Preciso mesmo de companhia" - pensou o moleque. Ainda mais agora que morava isolado de todo mundo, um cãozinho ia bem a calhar, pras horas de ócio e solidão.
E foi com muita lábia que ele convenceu a mãe. "Mas você já teve um igualzinho uns tempos atrás e deu pra sua tia depois de um mês!"- lembrava a mãe. "É... mas naquela época eu queria mesmo aquele gato que eu arranjei depois!" - argumentou o garoto - "Agora é diferente... o gato morreu e eu quero um cachorro!!!"
E teve o cachorro que queria.
Todos os dias acordava cedo, trocava a água do bicho, dava ração e passava manhãs inteiras com ele. Partilhava até o bife do almoço! Embora sua casa tivesse quintal, adorava que o filhotinho se refugiasse na sala ao seu lado, os dois vendo TV naquela preguiça da tarde.
À noite, era o cão quem o ouvia tocar violão e cantar, assim meio desafinado mesmo, e só ia dormir quando estavam os dois exaustos.
Houve momentos, no começo, em que o bichinho queria sair do quintal, ir pra rua, pra praia ali perto. E o garoto o levava, mas nunca desgrudava dele. Também quis caçar o gato da vizinha, mas é claro que não poderia. Que idéia!
O menino era a companhia do cachorro. E o cachorro, a do menino.
Mas as aulas recomeçaram (o cãozinho havia sido comprado no início das férias). O moleque voltou pra escola, onde permanecia a manhã toda, entretanto ainda tinha as tardes livres pro cão, que estava cada vez mais esperto, mais bonito, mais do jeito que seu dono queria.
O guri acordava cedinho pra brincar com seu companheiro canino antes mesmo de ir pra escola, e voltava correndo de lá, pra tarde de estripulias render mais.
Acontece que, com o tempo, ele foi fazendo mais amizades na escola, e já não se sentia tão sozinho. Ele se reunia com outros garotos quase toda a tarde, jogava bola, inventava bricadeiras, ia pra lan-house... Tinha muito o que fazer. Mesmo as noites passaram a ser ocupadas com os ensaios de uma promissora banda que ele e os caras da escola estavam montando. E, por morar longe, freqüentemente tinha autorização da mãe pra dormir na casa de algum colega.
O cachorrinho continuava lá. Já não era assim tão pequeno, as orelhas pretas arrastando no chão. Seu dono ainda trocava a água, colocava ração. Ainda o levava pra rua, pelo menso dava uma voltinha na frente da casa!
Então por que o pobre animal andava tão cabisbaixo? Oras! Ele tinha tudo que precisava: comida, água e visitas freqüentes ao veterinário. Devia saber, mesmo sendo um simples cão, que seu dono tinha mais o que fazer do que ficar o dia todo brincando com ele! Veja se ele ia perder uma tarde inteira jogando um briquedo verde pro cachorro correr atrás, enquanto poderia aproveitar melhor seu tempo! Bicho ingrato! Devia estar contente por não ter ficado naquela gaiola naquela lojinha! E pra ajudar fica assim, resmungando a noite toda e latindo como um desesperado toda vez que o dono sai de casa.
Sem contar que nem tem noção das coisas direito, pois quando o garoto retorna cansado de tanto brincar e dispensa ao animalzinho cinco minutos de parca atenção, ele já fica todo feliz, abanando aquele coto de rabo e pendurando a língua, arfando, como da primeira vez em que o menino o viu, ainda na loja.
Esses bichos de estimação são mesmo muito bobos.

Um comentário:

Anônimo disse...

!!!
coitado do cachorro!

(te pago pra vc fazer um texto pro meu blógue. não sei o que é "ter idéias" há longos meses).